11 janeiro 2014

O Turco, a máquina que derrotou Napoleão no xadrez

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Quem nunca jogou xadrez com um computador? Um software (especializado ou não) pode muito bem calcular movimentos, pois tem estratégias pré-definidas pelos produtores. Facilmente pode vencer qualquer pessoa, mesmo um campeão mundial se ele se descuidar. O que estou querendo dizer é que não é incomum nos depararmos com jogos de xadrez em que um jogador é você e o outro é um computador. Mas agora vamos voltar 200 anos no passado. É evidente que não haviam computadores nessa época. Eis que surge um inventor maluco chamado Wolfgang von Kempelen que cria uma bizarra e incomum máquina chamada "O TURCO". Ela é composta de um gabinete na parte inferior e um manequim de tamanho real vestido como eles achavam que um turco se vestia na época logo acima do gabinete. Também havia um tabuleiro de xadrez sobre o gabinete e gavetas onde as peças eram guardadas.


Em 1770, Kempelen chegou na corte da rainha Maria Teresa da Áustria e afirmou que sua máquina podia jogar xadrez com qualquer um. Ele abriu o gabinete e mostrou que dentro só haviam engrenagens, correias e que parecia mais um relógio do que qualquer outra coisa. No entanto, sua intenção era mostrar que não havia ninguém lá dentro, nem um anão que pudesse acionar os mecanismos e jogar. Então ele pediu que a pessoa mais intelectual da corte viesse à frente. Um nobre rapaz, o Conde Ludwig von Cobenzl, se apresentou e então começou a disputar a partida com o turco. Para a surpresa de todos, a máquina o venceu com facilidade. O Conde afirmou que a máquina jogava com agressividade, derrotando a maioria dos oponentes em até 30 minutos. Ela tinha um braço móvel e uma mão que podia agarrar qualquer peça e transportá-la para qualquer parte do tabuleiro com muita facilidade e precisão. Se a Dama adversária fosse ameaçada pelo turco, ele balançaria a cabeça duas vezes e se o Rei fosse colocado em xeque, ele balançaria três vezes. Tinha olhos móveis, que pareciam observar o tabuleiro e as jogadas. Caso o oponente resolvesse realizar um movimento ilegal, o turco balançaria a cabeça e automaticamente pegaria a peça, colocando-a de volta ao seu lugar anterior e realizando um movimento seu logo em seguida como se fosse uma penalidade.



O Turco sempre fazia o primeiro movimento e sempre utilizava as peças brancas. Diversos curiosos e especialistas traziam ímãs para testar se a máquina funcionava com pesos ou magnetismo, mas nunca obtinham nenhum resultado. Segundo alguns, o Turco era capaz até mesmo de conversar com os jogadores com um tabuleiro de letras nos idiomas de inglês, francês e alemão.

A parte posterior da máquina também era revelada aos expectadores.
O Turco viajou pela Europa, até cair nas mãos de Napoleão Bonaparte. O famoso imperador desafiou a máquina e foi derrotado. Então ele decidiu tentar mais uma vez, só que desta vez ele fez um movimento legal que favorecia o Turco. A máquina por sua vez, reagiu com agressividade, esticou o braço e o lançou ao tabuleiro, derrubando todas as peças e terminando a partida imediatamente. Isso assustou não só Napoleão, mas também toda a corte. Apesar de vasculhar pelo gabinete da máquina, nenhum indício de algum operador foi encontrado, o que deixou a todos muito confusos e assustados.


Apesar do sucesso estrondoso da máquina, Kempelen não estava satisfeito com ela e era constantemente pressionado a exibí-la. Chegou até a desmontá-la uma vez, no intuito de fazer os assédios cessarem, mas foi em vão. O próprio rei ordenou que ela fosse montada novamente e que fizesse um tour por todo o continente. O Turco chegou a ser derrotado algumas vezes, principalmente por nobres franceses, mas isso não desanimou o público e nem sequer afetou sua reputação.

Muitos especialistas afirmaram categoricamente de que a máquina era uma farsa. Diziam as más línguas que um anão, uma criança ou um veterano de guerra que havia perdido as pernas ficava dentro do gabinete e realizava os comandos com o manequim. Algum truque de ilusão era feito para esconder esse pequeno operador. Surgiram ainda rumores de que um demônio estava preso dentro do manequim e o operava. Kempelen apenas continuava a afirmar de que era um mecanismo autômato e que não havia nenhuma manipulação humana por trás de tudo.


Nunca foram encontrados esquemas de engenharia que mostrassem como ele era montado. Muitos desenhos da época feitos por curiosos sugeriam diversos mecanismos possíveis, mas nenhum que funcionasse daquela forma. Livros e artigos foram e são publicados até hoje sobre o funcionamento da máquina, inclusive Edgar Allan Poe era fascinado por ela. Após a morte de Kempelen, o Turco mudou de donos diversas vezes até ir parar no Museu chinês nos Estados Unidos e ser esquecido em um dos cantos. Em 1854, um incêndio no Teatro Nacional da Filadélfia alcançou o museu e destruiu para sempre O Turco.


Mas não desanime, caro leitor, pois um homem nos Estados Unidos conseguiu recriar O Turco com maestria. No entanto, se recusa a revelar o segredo de seu funcionamento. Ele afirma que levou cerca de 35 anos para conseguir chegar ao resultado final. Essa nova versão não se comunica com palavras, mas joga com tanta precisão quanto o original. Há reproduções da máquina por todo o mundo, inclusive uma versão eletrônica, ou seja, controlada por computador. Muitas reproduções são apenas cópias dos desenhos feitos da época e a grande maioria não consegue realizar todas as funções que tinham no original.


Sem sombra de dúvidas, O Turco foi uma das primeiras máquinas a ter um certo grau de inteligência artificial. Claro que não poderia escapar da nossa lista de coisas bizarras, não é mesmo? E aí, encararia uma partida de xadrez com O Turco?

Vou finalizar com um vídeo em inglês, mas dá pra ver bem como ele funcionava. Claro que é uma réplica, mas dá pra ter uma noção e se arrepiar com tamanho realismo da máquina. Você pode até mesmo vê-lo ficar irritado, como Napoleão viu.



Umadblog

6 comentários:

  1. Então, quer dizer que o funcionamento do Turco ainda é um mistério?

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    1. A questão toda é: Como esse maldito sabia exatamente qual peça mover?
      Outra coisa... como esse fela sabia quando a pessoa trapaceava?

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    2. é assustador imaginar uma coisa dessa hà 200 anos.

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  2. Anônimo13.1.14

    Já conhecia essa historia, muito boa.

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  3. Anônimo14.1.14

    soh li mintiras

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    1. Anônimo9.5.14

      e você sabe ler ?

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