25 julho 2013

Sanatório maldito - Dona Vicentina de Queirós Aranha

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Dona Vicentina de Queirós Aranha foi uma grande dama da sociedade paulista que viveu no século passado. Casada com o senador Olavo Egydio, lutou pela obtenção de um local para a construção de um sanatório para o tratamento de portadores de tuberculose pulmonar, doença que, na época (1924), se alastrava por todo o Brasil. Vicentina Aranha organizou uma campanha que mobilizou toda a sociedade de São Paulo. Como resultado, o governo selecionou uma vasta área e deu continuidade à campanha. Finalmente, depois de construído, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo e obras executadas sob a supervisão do engenheiro Augusto de Toledo, foi inaugurado, em 27 de abril de 1924, o Sanatório São José dos Campos, que posteriormente recebeu o nome de Sanatório Vicentina Aranha, o primeiro da cidade e um dos primeiros do País. Infelizmente, porém, Dona Vicentina não viveu para testemunhar a concretização do seu sonho.
Inaugurado em 1924, sob a direção da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o sanatório é a concretização do sonho, luta e vitória de Vicentina de Queiroz Aranha. Diante de um problema sério e epidêmico, como se apresentava a tuberculose naquela época, sua ideia prosseguiu e conseguiu tornar realidade um dos maiores centros para tratamento de tuberculose da América Latina, reconhecido pelo alto padrão dos tratamentos oferecidos e por ser o primeiro sanatório de São José dos Campos. Esposa do senador Olavo Egídio, ele levou a ideia adiante mesmo após a morte de sua esposa.

Com ele trabalhou Paulo Setúbal, casado com Francisca, sua filha. Devido às características da enfermidade, era necessário um hospital de isolamento que pudesse prover todos os cuidados necessários para recuperação do paciente, em uma região perto da cidade de São Paulo. Por meio de uma doação feita pela Câmara Municipal de São Paulo, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia adquiriu uma chácara em São José dos Campos em março de 1914, escolhida devido ao clima ideal da cidade para o tratamento da doença, e por oferecer as condições de infraestrutura necessárias. Com o projeto creditado a Francisco de Paula Ramos de Azevedo, um dos arquitetos mais importantes do Brasil, a distribuição dos ambientes permitia uma inspeção zelosa e imediata dos pavilhões, que mesmo isolados e independentes, completavam-se de forma harmônica e eficiente. A ventilação e insolação nas edificações, propriedades consideradas terapêuticas, são particularidades do projeto que conferiram ao sanatório as melhores condições para o tratamento da doença.

O Vicentina Aranha encerrou suas atividades como sanatório para o tratamento de doentes com tuberculose na década de 60. Os últimos pacientes deixaram as suas instalações em outubro de 1981, juntamente com pacientes geriátricos, quando parte das instalações foi cedida para o antigo INAMPS – Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, que funcionou no local até abril de 1990. Com reformas em alguns setores que começaram nesse mesmo ano, a partir de então, além de sediar a AAFLAP – Associação de Apoio do Fissurado Lábio Palatal – manteve atividades médicas voltadas para o tratamento de doentes crônicos e idosos, além do Centro de Atividades para a Terceira Idade.

Com uma área atual de aproximadamente 84.500 m², o Vicentina Aranha foi tombado pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – em janeiro de 2001, tornando-se patrimônio do estado. Posteriormente, em 2004, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia encerrou as suas atividades. Atendendo ao desejo da população de ver o Vicentina Aranha preservado, em 2006 a Prefeitura de São José dos Campos comprou a propriedade e o reabriu, no ano seguinte, como Parque Cultural Vicentina Aranha, tornando-o novamente um sinônimo de qualidade de vida.


Fonte não identificada

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