04 julho 2013

Querido diário: Um pouco do começo

O que achou? 

Da janela do meu pequeno apartamento vejo uma praça, sempre fico na janela observando cada pessoa, toda tarde fico aqui vendo seus gestos, seus costumes e suas vidas sociais, talvez nenhuma dessas pessoas tenham me visto, afinal, ninguém olha para um prédio abandonado. Durante a noite, gosto de ler livros e escutar musica no rádio, não tenho TV, e isso não me faz falta.

Acordo bem cedo todas as manhãs, não importa o horário que eu durmo, sempre irei acordar cedo, aqui  é muito frio, faço meu café e me sendo ao lado da janela, observo cada barulho e cada uma das cores do crepúsculo. Mesmo que não faça o menor sentido, faço isso todas as manhãs. As 08:30 vou para o trabalho, trabalho em um mercado, faço de tudo, até gosto do meu trabalho mas preciso de mais dinheiro.

Quando eu tinha meus 5 anos de idade, eu tinha vários amigos imaginários, eles sempre me colocaram em encrenca, diziam que eu deveria fazer coisas más porque isso faz parte da minha natureza. Fui um frequentador assíduo de psicólogos, em minha adolescência fui 3 vezes para reformatório após o falecimento de meus pais em um acidente.

Essas coisas nunca me afetaram mentalmente, afinal, já nasci afetado, sou do tipo de pessoa que adora tudo e que odeia o tempo todo, gosto de conversar, mas não quero fazer isso com ninguém, isso é uma coisa que ainda não consigo entender, a única coisa que, apesar de eu não gostar de fazer, eu faço é sentir o medo, não exatamente o meu, mas o medo das minhas vítimas me alimenta e frequentemente preciso disso.

Minha primeira vítima foi um cachorro,  um cachorro que me acompanhou durante minha infância, eu o chamava de Ted. Estava chovendo muito, então fui até o Ted e fiquei ali com ele, sentado na varanda, eu estava com uma laranja em uma mão e uma faca na outra, fiquei fingindo que estava enfiando a faca no Ted, logico que mesmo ele não entendendo nada, ele me olhava com um olhar diferente, um olhar humano. Eu o deitei e comecei toda a brincadeira, comecei por seu pescoço, durante o ato, pude sentir seu medo, sua agonia e até o cheiro de sua morte.


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